domingo, 18 de março de 2012

Dor de Verdade

Por estes dias uma amiga de que gosto muito confessou-me ter acabado um duradouro relacionamento. Estava visivelmente triste e recolhi-a e a seus desabafos com um sorriso ao rosto. Lembro de ter-lhe dito coisas maravilhosas, na esperança de que barrassem seu choro e sua mágoa e que fizessem a alegria retornar ao seu rostinho de princesa. Dentre as palavras que proferi, lembro-me de uma frase que escrevi na hora e, poucos segundos depois, tornei a lê-la, mentalmente, pois pareceu-me muito bonita e singela. Poética.
Escrevi-lhe "usa o silêncio a teu favor e não para remoer as lembranças do passado". Disse tais palavras pois Lu, como prefiro chamá-la, confessou-me que mantivera esperanças no futuro do relacionamento, por mais que sua cabeça o negasse para sempre. Fiquei com aquelas palavras durante a noite, e ao acordar na manhã seguinte ainda às via em minha cabeça.
Conclui, como disse à princesa Lu, que o coração muitas vezes enganado e aturdido pelo sentimento nos prega peças, fazendo-nos crer que ainda amamos tal pessoa e que poderemos perdoá-la, ainda que a razão nos negue tal clemência, sob culpa de tornar-nos a sofrer e a iludir, repetindo os passos do passado.
O amor, muitos já disseram, é cego!
Porém, como Marcelo D2 retrata em um trecho da canção Dor de Verdade, "Deus fez a cabeça em cima do coração para que o sentimento não ultrapasse a razão".